Artigo do governador Carlos Brandão: Nosso maior capital é o humano

Existem situações que ficam na memória da gente. Há alguns meses, durante uma agenda no interior, um rapaz nos contou que estava prestes a deixar a cidade porque não conseguia trabalho.

Semanas depois, recebemos a notícia de que ele havia sido contratado. Não estamos dizendo que um caso resume a realidade do Maranhão. Mas histórias assim ajudam a lembrar por que fazemos o que fazemos. Até mesmo pelo fato de que a falta de oportunidades sempre nos incomodou.

Quando assumimos o governo, após as eleições de 2022, tínhamos clareza de que enfrentar a fome, melhorar a qualidade de vida das famílias e gerar oportunidades precisavam estar entre as nossas prioridades. Não porque isso rendesse manchetes, mas porque era isso que as pessoas esperavam de nós. E, mais do que esperar, precisavam.

Sabíamos de que não existia solução mágica. Nenhum estado muda de direção da noite para o dia. Ainda mais um estado com desafios históricos tão profundos quanto os nossos. Mas sempre acreditamos que era possível começar a mudar realidades.

E é justamente isso que temos visto acontecer em diferentes partes do Maranhão. Recentemente, um indicador chamou atenção: o avanço do Maranhão nos índices de Capital Humano. Segundo o ranking do Centro de Liderança Pública, o Maranhão apareceu entre os estados que mais cresceram nessa área. Hoje, somos o sexto do país.

Está certo que esse é um daqueles termos que raramente aparecem nas conversas do dia a dia. Ninguém se reúne na porta de casa para discutir Capital Humano. Mas as pessoas percebem o que está por trás dele. Percebem quando surge uma vaga de emprego onde antes não surgia nenhuma. Percebem quando um jovem consegue trabalhar sem precisar deixar sua cidade, sua família e seus amigos para trás. Percebem quando a renda melhora um pouco e já ajuda a colocar comida na mesa com mais tranquilidade.

Às vezes, quem olha apenas os números não consegue enxergar a dimensão humana dessas mudanças. Mas quem vive a realidade sabe o quanto elas importam. Temos a certeza de que trilhamos o bom caminho quando mais que dobramos o número de Restaurantes Populares e inauguramos a unidade 225. Para alguns, pode parecer apenas mais uma. Para muitos, representa uma refeição digna, acessível e de qualidade. Representa alívio no orçamento. Representa segurança. E desenvolvimento também passa por isso.

Nos primeiros meses deste ano, o Maranhão abriu mais de 6,6 mil vagas formais de trabalho. É claro que ainda convivemos com problemas importantes: a informalidade continua sendo um desafio; os salários ainda precisam melhorar; e enxergar isso é uma obrigação. Mas também é preciso reconhecer que existe um movimento acontecendo.

Temos visto isso especialmente quando conversamos com jovens beneficiados por programas como o Trabalho Jovem. Em muitas cidades, durante anos, conseguir uma primeira experiência profissional parecia algo distante.

E quem já recebeu a oportunidade do primeiro emprego sabe que ela vale muito mais do que um registro na carteira. O primeiro emprego muda a forma como a pessoa trata a si mesma.

E para além do tema “oportunidades”, há um dado novo que talvez pouca gente imaginasse ver no Maranhão: o avanço na efetivação da doação de órgãos. O estado saiu das últimas posições nacionais para ocupar lugar de destaque nesse indicador. Isso envolve investimento, claro, mas envolve também preparo das equipes, confiança no sistema de saúde e uma capacidade difícil de medir em planilha: a de lidar com famílias em momentos extremamente delicados.

O Maranhão ainda carrega problemas históricos, é verdade. Mas também seria injusto ignorar que o estado começa a construir uma realidade bem diferente daquela que recebemos.

Com consciência absoluta dos problemas a serem enfrentados e imprimindo nosso ritmo de trabalho, executando com planejamento e entregando resultados, continuamos nossa missão de deixar, para todos, um Maranhão ainda mais desenvolvido e socialmente mais justo.

Carlos Brandão

Governador do Maranhão